como foi fundado o batistini
ASPECTOS HISTÓRICOS
A região hoje denominada Bairro Batistini, pertencia ao Núcleo Colonial da Linha Galvão Bueno (em homenagem a Galvão Bueno, cidadão Paulista, morador da fazenda na altura do Botujuru) e parte da Linha Colonial Jurubatuba.
O Bairro Batistini constituiu-se dos últimos lotes coloniais da Linha Galvão Bueno (nº 12 a 17 e 22 a 33).
A Linha Galvão Bueno tinha início no ponto onde hoje é o fundo da indústria Volkswagen e terminava aproximadamente a 1.200 km de onde é hoje a Rodovia dos Imigrantes, sendo a principal via de acesso com início na altura da Indústria Brastemp indo até a Represa (local onde há a Chácara dos Padres Irmãos Maristas, alguns quilômetros além da Rodovia dos Imigrantes), cortando assim toda a região; passou a ser chamada Estrada Galvão Bueno.
Às margens dessa estrada, formaram-se conjuntos de sítios e seus moradores constituíam-se de imigrantes italianos, formando colônias. A primeira família a se instalar ali foi a Família Batistini, daí a origem de nome do Bairro Batistini.
Esses imigrantes italianos, Batistini, dedicavam-se ao plantio de vinhas para a fabricação de vinho e principalmente à indústria e comércio de carvão (sendo que na época o transporte utilizado era a carroça, com grandes dificuldades, pois levavam o produto para São Paulo).
Com a fabricação do vinho caseiro da família Batistini, nasceu em São Bernardo do Campo o hábito de “tomar vinho nas colônias”, onde se reuniam as duas maiores famílias da região (Demarchi e Batistini), juntamente com seus amigos e, ao mesmo tempo, serviam-se de frango com polenta (costume tradicional de sua descendência).
Por volta de 1940 a 1950 ainda havia esse hábito vigente, só que nessa época passou-se a adotar novo sistema: marcava-se com antecedência o jantar (encomendar e pagar) somente aos convidados; daí a origem aos famosos restaurantes, hoje considerado ponto turístico do Município “A Rota do Frango com Polenta das Colônias”.
Com o alto espírito religioso, a família Batistini doou a área onde hoje está localizada a Capela Santo Antônio.
O Bairro Batistini constituiu-se do JARDIM DA REPRESA, de propriedade do Dr. Carlos Falletti e S/M, com aprovação parcial (por se tratar de uma grande área com uma extensão de 1.632.347,00 m2), através do processo nº 3283/54 que corresponde a 40% do total da área.
Constitui-se também do JARDIM SKAFF, cujo proprietário é o Sr. George Sellim Skaff e outros, com solicitação para aprovação através do processo nº 4319/58.
O Bairro possui ainda outros loteamentos, mas estão indeferidos pela Prefeitura Municipal por irregularidades, estando próximos à Represa.
Joaquim Marson, o mesmo morador do Batistini que previa a volta das quermesses do bairro, traça um perfil histórico do Bairro Batistini. Ele que, aos 63 anos, residia na região desde os 9 anos de idade. Trechos do seu depoimento:
“ - Vim morar no Batistini em 1922. Naquele tempo existiam poucas casas por aqui. Os Batistini eram seis irmãos italianos que chegaram ao Brasil como imigrantes. Ao chegarem neste local começaram a derrubar matas para fazer suas plantações. Estradas não existiam. O que havia era uma simples picada que dava acesso ao centro da então Vila de São Bernardo. Os seis irmãos Batistini construíram suas casas e também uma capelinha. Isso em 1887. A capelinha foi reformada com o passar dos anos. Mas continua sendo a mesma. Os Batistini eram muito católicos. Por isso, mesmo depois de trabalharem o dia inteiro na lavoura, encontravam, no fim da tarde, disposição para irem à capela e tocarem o sino chamando os poucos moradores à oração. Todas as noites era rezado o terço. Na colônia, os Batistini plantavam uva. E com a uva preparavam vinho para uso próprio. Eles plantavam ainda, repolho, pimentão, batata doce, abóbora, pepino e caqui. Plantavam em grande quantidade para depois transportar todas essas mercadorias até a estação férrea de Santo André, de onde eram despachadas para Santos. Só eles sabiam o sacrifício que faziam. As estradas que enfrentavam para chegar a Santo André eram péssimas. E a carroça muitas vezes encalhava na lama. Quando eu nasci, em 21 de agosto de 1913, meus pais residiam onde hoje é o Jardim Ipê, em São Bernardo. Dali fomos morar onde hoje é o Jardim da Represa. Nessa época eu tinha, mais ou menos, sete anos de idade. Mesmo assim, lembro bem: o rancho que papai construiu era de barrote e coberto por umas folhas chamadas guaricanga. Eu ia a cavalo levar milho no moinho do João Arsuff para fazer fubá. O moinho ficava onde é agora a garagem de ônibus da Viação ABC. Eu deixava o milho no moinho e ia buscar café na torrefação do José Campi. A torrefação ficava perto da igreja matriz de São Bernardo, na rua Marechal Deodoro. Moramos no Jardim da Represa quatro anos. Ali meu pai era carvoeiro.
Naquela época, meu pai comprou de Giácomo - um dos seis irmãos Batistini - dois alqueires e meio de terras com casa, lavoura e uma carroça. Assim, mudamos para o Bairro Batistini. Um ano depois comecei a estudar. A escola ficava no Bairro Demarchi. Minha professora era dona Claudina de Barros. Não concluí o curso primário e passei, juntamente com meus dois irmãos e quatro irmãs a auxiliar meu pai. Em 1937 passei a cozinhar carvão. Casei neste mesmo ano mas continuei a morar com meus pais. Aliás, sempre morei com meus pais.
Nem sempre o serviço de queimar carvão era perto de casa. Por isso, eu e minha esposa fazíamos um rancho no mato, levávamos o alimento necessário e só retornávamos a nossa casa para passar o fim de semana. Isso durante muitos anos. Mais tarde montamos uma olaria no Alvarenga, onde trabalhamos quatro anos. Depois, retornamos ao Batistini definitivamente. Para trabalhar na lavoura cheguei a tirar carta de cocheiro para vender mercadorias como ambulante em Santo André. Fazia feira nos bairros do Ipiranguinha e de Santa Terezinha, em Santo André, e também em São Caetano, sempre saindo de casa, no Batistini, com a carroça carregada de legumes e verduras, às três horas da manhã. Neste ramos permaneci por seis anos. Só o abandonei com a morte de meu irmão, passando a fazer o que ele fazia: entregar lenha com um caminhão nas olarias e padarias da cidade. Se fosse possível, eu gostaria que os irmãos Batistini estivessem aqui com a gente, testemunhando o desenvolvimento do bairro que eles fundaram. Gostaria que eles observassem a estrada toda asfaltada e iluminada. Felizmente, graças a Deus e à boa vontade do povo - principalmente ao esforço da família dos irmãos de Alexandre Batistini - conseguimos construir a nova igreja de Santo Antonio”.